sábado, 2 de abril de 2011

Entre sonhos e desejos

Qualquer dia desses – qualquer um, de sua vida – pare ao entardecer, largue o que estiver fazendo. Procure o lugar mais plano, ou mais alto: procure a vista mais limpa que puder. Veja o Sol se pôr. Desde o momento em que ele “toca ao chão” até o momento em que ele se “esconder atrás dele”, pense. Pense no que lhe direi agora.
Quando nascemos, nossa existência modifica a vida das pessoas à nossa volta. Nossa mente ainda carente de informação não associa e nem relaciona a nossa presença e o impacto dela sobre a realidade ao redor. Mas crescemos um pouco, aprendemos a andar e a falar, aprendemos a compreender que existimos. Quando alguém diz: “desde que eu me entendo por gente” refere-se a este momento. E é então que passamos a QUERER. Não fazemos mais apenas pela necessidade, mas também pelo desejo. Desejamos ser astronautas, super-heróis. Como é fértil a imaginação e grandiosa a capacidade de uma criança sonhar? Pois é... o adubo nos falta quando crescemos. O astronauta de nossos sonhos se torna cada vez mais fraco enquanto nossos pés ficam cada vez mais colados ao chão. Ser super-herói se torna uma missão complicada demais para quem ainda tenta descobrir como salvar a si mesmo.
A palavra SONHAR, quando significando o ato de desejar algo, é vaga. Digo vaga, pois as pessoas tornam o ato de sonhar como algo de grandeza numérica singular. “O meu sonho é comprar um carro”. E após comprar o carro, você vai fazer o quê? Seu sonho acabou? Não amigo... você nem ao menos entendeu o que é sonhar.
Querer um carro, uma casa, ou o que seja... isso é desejar. O desejo se caracteriza pela vontade (cuja intensidade varia) de se obter êxito em algo. Desejar apenas alimenta o próprio desejo, é uma bola de neve que cresce sem sair do lugar. A diferença então, entre o querer e o sonhar, bem... sejamos mais holísticos.
Você já pensou em como vai realizar seus desejos? Você já se imaginou correndo atrás daquilo que quer? Então você sonhou. Sonhar não é simplesmente querer chegar a seu objetivo; sonhar é imaginar todo o processo, todo o caminho que te leva até lá. Se você sonha em ter uma vida feliz, você imagina toda a trajetória: você se vê crescendo, tendo filhos... ou simplesmente, saindo por aí “pra ser Jesus numa moto”.
Então, se você sonha com algo, não fique aí parado. Isso é desejar. Para sonhar tem que correr atrás, pois apenas o objetivo alcançado não vai te satisfazer; você precisa olhar para trás, ver todo o longo caminho que percorreu, sentir orgulho de si mesmo e dizer “EU CONSEGUI”.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Supernova


Um bom tempo se passou, poucas palavras foram ditas por aqui... mas muitas coisas passaram pela cabeça deste que vos escreve, desde então. A vida nos ensina coisas novas a cada instante. Mas ele é uma professora não muito paciente, raramente ela nos explica algo novamente. Por isso, preste sempre atenção na aula, ela pode não se repetir, e você pode acabar perdendo uma grande oportunidade de aprender uma lição única.
Nesses tempos que estive “ausente” do blog, posso dizer que fui um “nerd da vida”. Sentei na cadeira da minha própria consciência e absorvi tudo atentamente. Poucas vezes aprendi tanto sobre mim. Aprendi que a renovação não acontece com casa nova, carro novo, emprego novo ou roupas novas. Ela acontece com atitudes antigas, mas vistas sobre óticas diferentes. Não é mudar sua forma de pensar, mas sim interpretar suas próprias idéias através de outro ponto de vista.
            Você já sentiu alguma vez que seu brilho era forte demais? Já sentiu que o que havia dentro de você se equilibrava perfeitamente com o que havia do lado de fora? Que a pressão do mundo externo não seria nunca capaz de vencer sua força interior? Bem, claro que sim, se você é uma pessoa que se julga feliz. Mas a felicidade é mesmo um estado de espírito? SER feliz e ESTAR feliz são a mesma coisa?
Se seu brilho é forte demais, se sua força interna é, segundo você, capaz de vencer tudo, saiba que pode estar errado. Essa força precisa de energia para existir, e essa energia pode acabar um dia. Não, ela não é infinita. Seria em um mundo perfeito, que, felizmente (para a graça de viver superando-se) não existe. E quando essa energia começa a se extinguir, quando sua força interior não for mais tão forte assim, o mundo começará a te pressionar. A realidade lá fora tentará colapsar sua mente.
Aí começa a fase mais crítica de seu entendimento existencial. Enquanto seu interior se revira e solidifica-se em um caloroso turbilhão de reações, as coisas à sua volta parecem se afastar de você. Você vê partes de você mesmo indo embora, enquanto luta para evitar que seu fogo interior acabe te traindo e queimando por dentro o seu coração. Sua luta para vencer a pressão que te sufoca torna-se cada vez mais fascinante, embora tenebrosa.
Você já teve a sensação de que seu brilho pouco importa? De que a única coisa que quer é continuar existindo, brilhante ou não. Você não quer mais ser belo aos olhos dos outros, apenas SER. Ironicamente, o que parecia ser seu propósito de vida passa a ser irrelevante, embora ainda faça parte de você. Nesse momento você entende a finalidade da existência, mas não se conforma com ela: você entende que não tem uma missão na vida, mas sim que existem incontáveis missões para que possamos escolher. E é a indecisão da escolha que te confunde.
De repente, sua luta chega a um estado crítico: suportar não é mais uma opção. Você sente que deve empurrar o mundo para fora, ou ele é quem vai te apertar cada vez mais. Você explode. Tenta alcançar tudo o que “perdeu”, tudo o que se afastou de você. Faz isso com tanto desespero que as coisas se misturam e tudo se torna mais confuso ainda. Quando se dá conta, você não passa de poeira.
A vida é assim mesmo. Todos nós passamos por momentos assim. Uns sofrem pressões maiores que outros, mas em essência, é a mesma coisa. Mas a diferença não está em como explodimos, mas sim no que nos tornamos após a explosão. E para nos tornarmos novamente alguma coisa, é preciso entender que esse momento não é uma questão de SER poeira. É uma questão de ESTAR poeira.
Tente aproveitar  tempo em que sua existência é formada por grãos espalhados por todos os lados. Você deixa de ser um grande receptáculo de sentimentos, mas passa a sentir o mundo com cada pedacinho de si mesmo. Você não brilha, mas entende o brilho que vem de fora. E uma hora a poeira há de se juntar. Sem pressão, sem forças te empurrando e puxando ferozmente de todos os lados. Você vai voltar a brilhar. E tudo o que se passou ficará guardado na sua mente. Quando sua vida entra em colapso e você explode, uma nova estrela pode se formar dentro de seu coração. Basta deixar que a poeira se junte, e não ter medo de que seu brilho seja diferente desta vez.

Texto dedicado a todas as pessoas que fazem parte da minha vida, mesmo aquelas que se fazem próximas quando distantes, ou distantes quando estão próximas. E uma dedicação especial à minha amiga Dalila, que me ajudou a entender que não corremos atrás da felicidade absoluta. Não é uma questão de SER feliz. É uma questão de ESTAR feliz.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Da crueldade à coragem



Nesta semana, a cidade de Pouso Alegre no sul de Minas Gerais (coincidentemente, a cidade onde moro) foi abalada por uma notícia totalmente desagradável.
A notícia pode ser acessada por esses links:



Gente... o que é isso?

Isso não é novo não... estou dando exemplo deste caso por ser pertinho de mim, por ser na minha terra... mas acontecem muitos outros desse todos os dias. E me pergunto: O que faz um homem agir desse jeito?

Primeiramente, isso não é um homem. É um conjunto de ossos, carne e sangue que me deixa em dúvida se possui alma. Um coração que só serve para suprir as necessidades circulatórias do corpo, mas incapaz de sentir compaixão. Aliás, como dizem que na verdade sentimos com a cabeça e não com o coração, isso leva a crer que também não possui cérebro. Seria uma ofensa a todos os seres vivos possuidores de encéfalo, chamar aquela porção de massa cinzenta de cérebro.
Eu não consigo entender o que leva um pai a fazer isso com o próprio filho, além do fato de ser um bundão covarde e que só é homem no RG, de resto é um nada. Mas eu imagino que, o dia em que me tornar pai, será o dia mais feliz da minha vida... e minha vida toda será mais feliz depois disso. Eu sei, virão muitas fraldas a trocar, noites mal dormidas, choros e birras... mas creio que tudo isso seja na verdade parte da maravilhosa experiência que é ser pai. Fico me imaginando, segurando uma criança e esperando ansiosamente o dia em que ela dirá: “papá”... e é por imaginar isso com tanta amplitude que não sobra espaço na minha cabeça para imaginar que tipos de pensamentos ou sentimentos levam um ser humano a agredir uma criança.
Se olharmos para nosso passado, nas épocas em que nossos pais ou avós eram crianças, lembraremos que, nesse período, era comum os pais baterem nos filhos. Eu não concordo de forma alguma com esse tipo de atitude, mas compreendo que era uma forma de repreender os filhos por falhas cometidas. Mas não se via nessas práticas o intuito de traumatizar ou humilhar as crianças. Era um método que acredito ser totalmente ultrapassado, mas que por questões culturais, era tido como o correto. Mas e hoje?
Hoje já sabemos que agressões físicas só servem para causar revolta e traumas. Claro, não sou totalmente contra à “palmadinha”, da qual alguns pais lançam mão ainda hoje, embora prefira não adotá-la. Mas qualquer forma de repreensão física, se ainda existir, deve ter como único objetivo alertar a criança no momento da “infração”. Bater para punir não leva a nada, apenas faz com que a criança associe o ato de SER PEGO fazendo algo errado como um deslize, e não o FAZER algo errado em si. A criança apenas tomará mais cuidado da próxima vez, para não ser vista fazendo o que faz. Mas se você quer fazê-la entender que “o erro está no erro”, nada como uma boa conversa, nada como fazer seu filho sentir que, apesar de sua posição como pai ou mãe também acarrete na ato de advertir, ele não precisa temer a agressão das pessoas que ele mais ama e confia.
Agora, nem mesmo os pais mais conservadores concordariam com essa atitude que agora parece tomar repercussão nacional. Bebês ainda nem desenvolveram a consciência e o conceito de “certo ou errado”. Aliás, esse caso não foi punição, pois não houve erro cometido por parte da pobre criança. Esse caso foi a incapacidade de um pseudo-homem de entender a beleza e a magnitude de se cuidar de uma criança. Apenas alguém que esqueceu sua hombridade em alguma esquina e fez o que fez. O que ele merece? Bem, se eu fosse escrever aqui o que acho que ele merece, menores de 18 anos deveriam parar de ler o texto por aqui. Mas resumindo, ele deve ser isolado, privado do convívio social, e de alguma forma, deve retornar à sociedade algo de bom, para no mínimo, TENTAR compensar o que fez. Mas isso não o redime, apenas o deixa quitado em questões de ordem prática. No âmbito social e sentimental, sua exclusão Será perpétua.
Eu gostaria de finalizar esse post dando meus parabéns à mãe da criança. Me arrepia só de imaginar a sensação dela ao ver o vídeo. Eu que vi apenas trechos “amenizados” da cena, já senti coisas inexplicáveis, imagine ela. Mas ela soube se controlar, e tomar a decisão correta ao procurar a polícia. Através de um plano simples mas engenhoso, ela consegui poupar seu filho de sofrimentos maiores. E que sirva de lição para todas as mães desse Brasil, pois apesar da grande divulgação na mídia, esse caso não é único. Existem muitos iguais e até piores, e muitas mãe sabem mas tem medo de procurar ajuda. Não tenham medo. Aliás, preocupem-se mais com seus filhos do que com seus casamentos, pois seus maridos podem não serem sempre seus maridos, mas seus filhos serão sempre seus filhos.

“Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o normal
Finge que não vê,diz que não foi nada e leva mais porrada”

(No meio de Tudo Você – Engenheiros do Havaí)

Pensem nisto.
            Até mais.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A (inútil) disputa pós-eleitoral




É sério isso? Não, na boa mesmo, é difícil acreditar que tenha gente se vangloriando por que determinado candidato ganhou, ou se emburrando por que o outro perdeu. Tem gente aqui que parece ter um orgasmo quando "seu candidato" ganha. E daí? Isso de forma alguma torna vocês pessoas melhores. Ficar tirando sarro de pessoas que votaram no "perdedor" é uma atitude absurdamente ridícula e merecedora de repulsa. Muita gente aqui parece mais preocupada com sua auto-afirmação do que com o futuro do país.

Creio eu que esta eleição foi levada por "modinhas", pros dois lados. Muita gente que votou, independente do candidato, fez isso porque gostou da propaganda política. Sabe o que isso significa? Que muitos brasileiros ainda acham que não há deturpação na informação. Ambas as campanhas continham informações absolutamente maquiadas, ou melhor, não necessariamente mentiras, porém manipuladas de forma a obter visibilidade além da merecida.

Sabe o que me espanta mais? Pergunte aos eleitores do Serra quais foram os últimos cargos políticos desempenhados por ele, como ele entrou na política e qual é sua formação profissional. Façam a mesma pergunta aos eleitores da Dilma. Em ambos os casos, ficarão espantados ao constatar que pouquíssima gente saberia responder a essa pergunta.

Agora que a eleição já foi, é hora de parar com essa criancice de "meu carrinho é maior que o seu" e torcer para que a candidata eleita faça um bom governo, independente de ter votado nela ou não. Porque pessoas que "pisam" nos eleitores do adversário, e pessoas que ficam agourando o candidato eleito para fazer cagadas, para mim são farinha do mesmo saco. ACORDA GENTE! Se gastássemos essa energia que gastamos nessas discussões ferrenhas para um bom propósito, vocês veriam am que pé estaria esse país.

É isso. Deixem de lado essa richa partidária besta, e vamos trabalhar juntos para melhorar nossa realidade, deixando o orgulho de lado e lutando pela mesma causa.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Amizade...???

A quem podemos de fato chamar de amigos?

Na verdade, as pessoas classificam suas amizades de formas bem distintas umas das outras. Algumas dizem ter centenas de amigos, enquanto outras afirmam que não possuem amigo algum em quem possam confiar. Sendo assim, vou dizer aqui o MEU ponto de vista sobre o que é ser amigo.
A amizade é uma das características interpessoais baseada fortemente no amor. Em geral, temos pelos nossos amigos o mesmo tipo de amor, de forma que apenas a intensidade varia. Mas também podemos destacar que a amizade é característica na qual se fundamente um campo de outros parâmetros interpessoais, como confiança, camaradagem e cooperação. Portanto, o amor puramente não caracteriza a amizade, embora seja o fator primordial. A amizade também pode ser descrita por esses e outros fatores. E pode acreditar, é difícil encontrar alguém que apresente altos valores em todos os fatores.
Bem, sendo assim darei minha sugestão para identificar seus amigos de verdade. Quando digo de verdade, não estou querendo dizer que as outras amizades são de mentira, mas apenas que talvez não sejam amigos para qualquer instante.
            Primeiramente, pense em todos os seus amigos. Tente pensar em todos eles ao mesmo tempo, como se estivessem em uma sala. Note que, como qualquer pensamento, as formas ficarão um pouco distorcidas. Tente dar mais nitidez a essas imagens, o máximo que conseguir.
            Certamente você não conseguiu melhorar esta nitidez para todos. Provavelmente se dedicou a determinadas pessoas quando percebeu isso. Estas podem ser talvez as mais importantes para você neste momento. Mas é importante ressaltar que as pessoas mais “nítidas” variam de acordo com o momento de sua vida. Então, não creio que sejam eles os seus maiores amigos. Creio que aqueles que sempre estão em seu pensamento, nítidos ou não, é que são. Isso porque a presença destes em seus pensamentos é intrínseca, e você os interpreta como algo que “sempre está lá”, portanto não há necessidade de dar a eles mais nitidez, pois você já tem a certeza de suas importâncias, dispensando assim qualquer tipo de tratamento mais sofisticado em suas imagens.
Confuso isso? Deixe-me exemplificar.
            Você está em um bar com amigos, e alguém lhe apresenta uma amiga (ou amigo) que você ainda não conhecia. Você simpatiza com ela, e por algum motivo, por dias seguidos, passa a alimentar esta simpatia de um modo diferente. Você passa a fazer questão da presença desta pessoa nos bares que freqüenta, passa a querer sempre conversar com ela. Talvez, até se “apaixone” por ela. Ela toma quase todo seu pensamento, em quase todos os seus dias. Sempre que acordar, pensará nela. Sempre que for fazer algo, desejará que ela esteja junto. Muitas vezes pensará: “é a pessoa mais importante de minha vida, é a razão de minha vida”. Bem, ilusões acontecem.
            Então, faça um teste simples: imagine novamente todas as pessoas importantes para você. Imagine agora que esta sua “razão de viver” suma de sua vida. Provavelmente, você sentirá uma angústia profunda, um sentimento de quem perdeu parte de seu coração. Imagine então sua vida, sem essa pessoa, anos atrás e daqui alguns anos. Pense em como era sua vida sem ela, e como será sua vida sem ela, após a ter conhecido. Então, imagine agora que você foi dormir. No dia seguinte, acorda quando ainda era bem criança, como se tivesse voltado ao passado – antes de conhecer todas as pessoas importantes da sua vida. Mas sua memória é a mesma. O que você faria? Você ficaria confuso sim, mas tentaria viver exatamente como antes? Obviamente, não conseguiria. Então, passaria a ter medo, pois vivendo diferente, talvez não consiga se aproximar de seus amigos, que a essa altura, nem sabem quem você é. É um sentimento agonizante, é como se todas as pessoas ao seu redor tivessem perdido a memória. Então você entra em parafuso. Seu dia corre de forma extremamente confusa, você dorme. Alguns dias passam e seu desespero aumenta. Você quer sua vida de volta. Você quer aquelas pessoas de volta.
            Sabe o que é curioso? Lembra daquela pessoa que era a sua “razão de viver”, o motivo de sua felicidade? Garanto que você nem pensou nela, ou pensou muito pouco. Você nem sequer perderia seu tempo tentando reconquistá-la, pois mesmo que seja dolorido imaginar sua vida sem ela, existem outras pessoas sem as quais sua vida se tornaria irreconhecível. Pessoas sem as quais você simplesmente não saberia se definir, pois elas são seu referencial. ESSAS pessoas são seus verdadeiros amigos. ESSAS pessoas é que caracterizam a sua vida. Elas não são sua razão de viver – elas são pedaços de sua vida, que não passa de um gigantesco quebra cabeça, com umas peças maiores que as outras. Algumas peças são aquelas do canto, que deixam um buraquinho, mas que você concerta com algumas gambiarras, fazendo uma peça nova. Mas algumas peças são tão grandes que, sem elas, o desenho do quebra cabeças fica irreconhecível, e você nem ao menos terá ânimos para continuar montando.

Então meus companheiros, cuidado ao determinarem com tanta certeza as pessoas (ou A pessoa) que julga ser a fonte de sua felicidade. Pode ser que você esteja dando atenção demais a peças bonitas e chamativas, mas que são apenas peças de canto, fáceis de trocar.

PS – Este texto não estava “nos meus planos”. Mas neste domingo que se passou, tive uma longa e maravilhosa conversa com uma grande “peça” de meu quebra cabeças, e esta reflexão me veio fortemente à cabeça. Carol, obrigado por me escutar, e por me dar inspiração para este texto. E obrigado à todas as peças realmente importantes de minha vida, pois nenhuma “razão de viver” que apareça em minha caminhada, será maior que vocês.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A realidade do deficiente físico




Antes de começar, quero deixar claro que este texto não tem fins políticos, até porque creio que teria acontecido a mesma coisa, qualquer que fosse o político envolvido, de qualquer partido.

            Neste domingo, dia 17, tivemos em minha cidade (Pouso Alegre) no sul de Minas, um evento muito bacana – uma corrida rústica para portadores de necessidades especiais. Juntamente com alguns escoteiros de meu grupo, fui escalado à ajudar no evento, distribuindo água, fazendo balizamento de percurso ou o que fosse preciso ajudar. Pois bem, pouco antes do início do evento, ficamos sabendo que o governador do estado estava chegando à cidade, e assistiria à uma missa na Catedral de Pouso Alegre. O detalhe é que este evento para os deficientes físicos estava acontecendo justamente na praça em frente à catedral.

            Enquanto os participantes, parentes, amigos e colaboradores da corrida se organizavam, podíamos notar, atrás do palanque do evento, a movimentação na igreja. Um tapete vermelho foi colocado à porta da igreja (diga-se de passagem, não há nada mais ridículo do que o tal do tapete vermelho) e percebia-se a chegada de várias pessoas com traje de última linha. A alta sociedade da cidade comparecia em peso. Não para assistir à corrida, mas para assistir à missa na qual o governador estaria presente.

            Bem, só Deus sabe a dificuldade que foi para realizar aquele evento. As pessoas passavam por nós e encaravam tudo com olhar de quem nega esmola a um mendigo. Uma secretária de Cultura de uma cidadezinha próxima até veio falar algo com a gente, mas a preocupação dela era com a abertura da rua para que  governador chegasse, já que estava interditado para a corrida. Neste momento, o Mariano, que é um grande entusiasta do atletismo e estava ajudando no evento, sutilmente disse: “Mas o governador não se importará de caminhar um pouco, não é? É por uma boa causa. Sabe quando você aplaude com o coração? Foi exatamente o que fiz.

            Mesmo com as dificuldades, a corrida transcorreu bem, e preparávamos para a entrega de medalhas e troféus. Ao fim da missa, foi que a minha indignação foi maior. O governador saiu pela saída lateral rumo ao carro, até aí tudo bem. Mas ver DEZENAS de pessoas saírem da praça para verem o governador passar, foi a gota d’água. Pessoas que realmente mereciam público estavam ali, recebendo suas medalhas ao som de meia dúzia de pares de mão em ovação. Minha indignação foi tamanha que batia palmas cada vez mais fortes.

            Então, o que quero deixar claro é que minha crítica não é política, pelo contrário. Estou criticando as próprias pessoas, que se preocupam mais em lamber o saco de pessoas que julgam serem mais “importantes”, deixando de lado pessoas que realmente estão precisando de carinho, de atenção. Me deixa em cólera ouvir madames pregando a paz mundial, a igualdade, o apoio aos mais necessitados... enquanto torcem o nariz para estes. Pessoas que dão lição de moral nas colunas sociais (idiotice 2) sem um pingo de moral verdadeira para dar exemplo.

Este é nosso mundo. Cada vez mais, me convenço de que não é a política que estraga nossa vida. A má política é apenas um aspecto da má conduta humana. Tive o prazer de estudar, me formar e tornar-me amigo de um deficiente físico, a quem aprendi a ver com os mesmos olhos que vejo qualquer um. Deficiência física não é inferioridade, pelo contrário – pode mostrar que as pessoas não precisam de tudo para serem felizes, e que a superação não está no corpo e sim no coração. Mas enquanto as pessoas acharem que deficiência é digna de pena... digo que dignas de pena serão elas. Eles merecem sim admiração, mas acima de tudo, RESPEITO. E falta isso em muita gente que se diz “normal”.

Pensem nisso.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A confiança é um vaso que se quebra...

“A confiança é um vaso que se quebra”. Muitas vezes as pessoas não entendem o significado desta expressão. Usam-na para referirem-se a traições, desacordos, falta de compromisso e diversas coisas relacionadas. O que ela realmente quer dizer, bem, vamos analisar.
Primeiro é preciso ter noção de uma coisa: o amor é a benção e a maldição do homem. Amar só traz felicidade quando este amor segue um fluxo de ida e volta em duas vias. Amor não tem absolutamente NADA a ver com merecimento. Pessoas que merecem todo o amor do mundo são muitas vezes desprezadas, e pessoas que não merecem o ar que respiram, muitas vezes atraem para si mais amor do que merecem. Então, não se iluda achando que  o amor é o mais belo dos sentimentos. É uma pedra preciosa, porém bruta e rudimentar, que precisa ser lapidada com vigor. Mas é uma pedra distribuída pelo solo de forma não homogênea, não segue padrão nenhum. É por isso que, por mais que se cavem buracos e mais buracos, você pode não encontrar nada, pois seu solo nada tem. Mesmo merecendo, você pode passar a vida inteira “garimpando” sem sucesso, sendo obrigado a ver pessoas à sua volta esbanjarem-se com esta preciosa pedra, sem ao menos esforçarem-se. Este amor não se refere apenas ao amor “homem-mulher”. Ele pode se representar em amor fraternal, em compaixão e qualquer outra forma de afeto por outros.
Existe o falso amor. Ao contrário do que se pensa, o falso amor não engana ninguém mais do que engana a própria pessoa que o cria. Achar que seu coração está cheio de amor, quando na verdade está seguindo instintos humanos que a nossa evolução mental e cultura já ensinaram a controlar. A ganância por mais e mais, o desejo pelo prazer a todo custo, por mais breve que seja. O desprezo pela própria existência e a existência daqueles que realmente amam. Não é que se deva viver como os outros determinam, afinal cada um tem seu livre arbítrio. Mas ignorar os conselhos e advertências que os verdadeiros “amadores” e a própria vida lhe dão, pode tornar o livre arbítrio não em um direito humano, mas sim em um objeto de soberba perante aos que apenas querem induzir-te a caminhos não tão fáceis ou prazerosos,  mas talvez os únicos que de fato lhe levarão até o fim.
O perdão é uma virtude, mas não se enganem, pois ele não é automático e quase nunca é espontâneo. O verdadeiro perdão não é declarado, e abraços, beijos e palavras de redenção nem sempre mostram a verdadeira forma do sentimento que se esconde por trás da mágoa. O perdão pode significar uma segunda chance, terceira, ou qual seja. Mas isso para quem é perdoado. E quem perdoa? Terá uma segunda chance de ter de volta o antigo sentimento? O coração dela será o mesmo, todas as feridas se curam? O mesmo alívio daquele que é perdoado é sentido por quem perdoa?
Enfim, entendemos então o sentido da frase sobre o vaso. Um vaso é construído com cautela, passa por diversos processos até chegar à nossa mesa. Se alguém o quebra, pode usar fitas, cola ou qualquer outro artifício para consertá-lo. E de fato, as flores poderão voltar a crescer ali dentro, tão belas quanto antes. Mas as rachaduras do vaso jamais sumirão. Sempre que o olhar, embora admire as flores, não conseguirá desviar o olhar dos trincos e rachaduras que mostram que aquilo já se quebrou – e por mais reparos que se faça, não será como antes. “A confiança é um vaso que se quebra”. A vida se encarregou de me fazer entender o que isto significa, e espero que todos entendam e passem a tomar mais cuidado com seus vasos.